No pico de uma tarde de julho, a casa está fechada e o ar-condicionado trabalha a plena força. É a hora mais quente, e é também a hora em que o contador corre mais depressa. Lá fora, o sol cai a direito sobre o telhado, com toda a força que tem nesta altura do ano. Essa energia toda passa por cima da casa e segue caminho. Cá dentro, paga-se à rede cada grau de frescura.
Há aqui um desencontro que poucos reparam. A energia de que a casa mais precisa, e ao preço mais alto, está disponível em abundância exatamente à porta, no momento exato em que faz falta. Só que não tem por onde entrar.
Porque é que o verão é o mês mais caro para arrefecer
O consumo de uma casa no verão tem um padrão fácil de prever. Concentra-se nas horas de maior calor, entre o meio-dia e o meio da tarde, quando o ar-condicionado tem de trabalhar mais para compensar a temperatura lá fora. É nessa janela de poucas horas que se gasta a maior fatia da eletricidade do dia. O resto das horas pesa pouco em comparação.
Toda essa energia vem da rede. Quando o consumo dispara ao início da tarde, a única fonte disponível é a eletricidade comprada, ao preço a que estiver nesse momento. E o verão tem a particularidade de empurrar o consumo precisamente para as horas de maior radiação solar, o que significa que se está a pagar o pico de gasto na altura do dia em que mais sol existe sobre a casa. O custo não está só no valor da fatura. Está em pagar caro por algo que, à mesma hora, sobra à volta da habitação.
Porque é que a energia que falta está a passar por cima da casa
Vale a pena olhar para o telhado de uma casa numa tarde de verão. Naquelas horas, recebe a radiação solar mais intensa do ano. A quantidade de energia que incide numa cobertura exposta, ao início da tarde de julho, ultrapassa com folga aquilo que a casa está a consumir nesse momento, ar-condicionado incluído. A energia está lá, toda, disponível e gratuita.
O problema é que uma cobertura comum não faz nada com ela. O sol aquece as telhas e pouco mais. Toda a radiação que poderia alimentar o consumo da casa transforma-se em calor que se dissipa, enquanto, a metros de distância, o contador continua a somar a energia comprada à rede. É um desperdício silencioso, que se repete todas as tardes de verão sem que ninguém o veja como tal. Existe uma necessidade clara, energia ao meio-dia, e uma abundância igualmente clara, sol ao meio-dia, e nada a ligar as duas.
Quando produzir e consumir acontecem à mesma hora
É exatamente esta ligação que um sistema fotovoltaico estabelece. Os painéis captam a radiação solar e convertem-na em eletricidade, e produzem mais quando o sol é mais forte. Por outras palavras, produzem o seu máximo nas mesmas horas em que o arrefecimento consome o seu máximo. A energia gerada no telhado ao meio-dia alimenta o ar-condicionado que está a trabalhar ao meio-dia. A isto chama-se autoconsumo, e é a forma mais direta de aproveitar a produção solar.
Há uma dúvida que costuma travar quem pondera os painéis: produz-se de dia, mas grande parte do consumo é à noite, quando o sol já se pôs. É uma objeção legítima para o ano inteiro. No verão, porém, ela perde força, porque o maior consumo da casa, o arrefecimento, acontece precisamente de dia, sobreposto à produção. A limitação que se receia noutras estações torna-se, no verão, a maior virtude do sistema. É a estação em que a produção e o consumo melhor coincidem.
E é essa coincidência que muda a leitura do investimento. Um sistema fotovoltaico deixa de ser uma despesa de retorno distante e abstrato e passa a ter um efeito visível já no primeiro verão, nas horas em que a fatura costumava doer mais. Não elimina a ligação à rede, mas reduz a dependência dela precisamente quando ela sai mais cara.
O valor real, contudo, depende de uma coisa: de quanto do consumo da casa coincide de facto com a produção dos painéis. E isso não se resolve com um número genérico de painéis. Depende do perfil de consumo da habitação, da orientação e da área do telhado, e do equipamento de arrefecimento instalado. Um sistema sobredimensionado produz energia que não se aproveita; um subdimensionado deixa consumo a descoberto. Na Inwatt, o ponto de partida é sempre o mesmo: avaliar o consumo da casa e dimensionar o sistema adequado a esse perfil. Se pondera aproveitar o sol para arrefecer com energia própria, peça uma avaliação e perceba quanta da sua fatura de verão pode passar a vir do seu próprio telhado.
